A campanha de Flávio Bolsonaro (PL) saiu satisfeita do primeiro debate do segundo turno contra Luiz Inácio Lula da Silva (PT), realizado pela Band neste domingo, 18, mas identificou pontos que precisam ser corrigidos antes do próximo encontro entre os candidatos, marcado para a próxima sexta-feira, 23, na TV Globo.
Conforme apurou Oeste, a campanha acredita que Flávio cumpriu a estratégia traçada para o encontro, que previa reagir às cobranças de Lula e direcionar os questionamentos ao próprio presidente. O caso do Banco Master foi um exemplo. O assunto apareceu logo no primeiro bloco, quando Lula cobrou explicações sobre os R$ 134 milhões solicitados ao banqueiro Daniel Vorcaro para financiar o filme Dark Horse, cinebiografia sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro.
Flávio respondeu às acusações e levou ao confronto suspeitas que envolvem pessoas próximas ao presidente, incluindo Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, e a lobista Roberta Luchsinger. Mesmo assim, interlocutores avaliam que o Zero Um poderia ter explorado por mais tempo as relações políticas de Vorcaro com integrantes do governo e cobrado esclarecimentos sobre as investigações relacionadas ao ex-banqueiro.
Na economia, Flávio criticou o aumento dos preços de alimentos como arroz, feijão e carne e perguntou aos telespectadores há quanto tempo não conseguiam colocar carne no freezer. Citou também a dívida pública, que, segundo afirmou, chegou a R$ 11 trilhões no atual governo, e prometeu abrir espaço de mais de R$ 200 bilhões no Orçamento para reduzir o endividamento do governo e das famílias. O senador responsabilizou o PT pela situação econômica, ao afirmar que o partido governou o Brasil durante 20 dos últimos 24 anos. “Pergunto para você que está em casa: sua vida melhorou ou piorou?”, disse.
A campanha considera que Flávio também poderia ter explorado declarações de Lula sobre mulheres. Em setembro, durante uma agenda em Belém, o presidente afirmou que mulheres aprendem a realizar exames de toque desde pequenas, ao comparar os cuidados médicos femininos com a resistência dos homens ao exame de próstata. Outras falas do presidente também provocaram controvérsia. Em março de 2025, Lula disse ter escolhido Gleisi Hoffmann, a quem chamou de “mulher bonita”, para melhorar a articulação com o Congresso. No mês seguinte, referiu-se à diretora-geral do Fundo Monetário Internacional (FMI), Kristalina Georgieva, como “aquela mulherzinha”. Em julho de 2024, ao comentar a violência contra mulheres depois de partidas de futebol, afirmou: “Se o cara é corintiano, tudo bem”.
A segurança pública recebeu atenção dos dois candidatos. Flávio defendeu classificar o Primeiro Comando da Capital (PCC), o Comando Vermelho e milícias como organizações narcoterroristas, elevar para até 80 anos as penas de líderes de facções e criar mais de 500 mil vagas no sistema prisional. Lula, por sua vez, apresentou a proposta de criação de um Ministério da Segurança Pública. Apesar do espaço dedicado ao assunto, a campanha de Flávio considera que o senador poderia ter cobrado mais diretamente a atuação do governo federal no enfrentamento ao crime organizado.
Flávio aposta nas redes sociais
Presidentes de institutos de pesquisa e profissionais de marketing eleitoral consultados por Oeste avaliam que as manifestações de rua podem beneficiar Flávio mais do que seu desempenho no debate da Band.
Na avaliação desses profissionais, os atos públicos oferecem uma oportunidade de mobilização dos apoiadores. Já o aproveitamento político do debate dependeria sobretudo da circulação de vídeos curtos com os momentos considerados mais favoráveis ao senador.
Os chamados cortes permitem selecionar respostas e trechos específicos do confronto para distribuição em plataformas como WhatsApp, Instagram e TikTok, a fim de alcançar eleitores que não acompanharam a transmissão completa.
O debate da Band registrou média preliminar de 13 pontos de audiência na Grande São Paulo, contra 12 da Globo, segundo dados do Ibope. A Band chegou a 14,5 pontos durante a transmissão, encerrada às 22h11.
O próximo encontro está previsto para sexta-feira, na TV Globo, depois do Jornal Nacional. Será o último debate programado antes da votação do segundo turno, no domingo 25.
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