O carcereiro Jaércio da Cunha Braga disse ao Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado de São Paulo (Gaeco) que o dinheiro em espécie encontrado em sua casa na última sexta-feira 16, R$ 147 mil e US$ 10 mil, quase R$ 200 mil é “economia de uma vida inteira”. Afirmou ainda que parte veio da venda de uma casa de sua sogra e que outra fatia pertence ao filho, funcionário de banco. A informação foi divulgada pelo jornal O Estado de S. Paulo.
Braga foi afastado depois que a fiscalização flagrou mordomias concedidas ao ex-presidente da Câmara Municipal de São Paulo, Milton Leite (União Brasil), na Cadeia Pública de Mogi das Cruzes, na Grande São Paulo. Com 37 anos de carreira, tem salário mensal de R$ 9,8 mil. O carcereiro nega ter beneficiado o ex-vereador.
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Os promotores também acharam com ele um maço de R$ 4 mil. Para esse valor, Braga afirmou que o dinheiro é seu, “de uso corriqueiro e normal, pois não mantém dinheiro em banco”.
O depoimento foi tomado no sábado 17, um dia depois de a força-tarefa do Gaeco e delegados da Corregedoria da Polícia Civil realizarem a fiscalização na cadeia. Milton Leite está preso desde 18 de setembro, na Operação Vectura Corrupta, que investiga um suposto vínculo dele com um esquema do PCC no transporte público da capital.
O ex-vereador rejeita a acusação. Diz que jamais financiou ou apoiou a facção e que vai provar a inocência. Preso em regime temporário por 30 dias prazo prorrogado na semana passada , foi transferido na terça-feira 20, para o Centro de Detenção Provisória (CDP) de Guarulhos.
A operação na unidade de Mogi teve aval do juiz Domicio Whately Pacheco e Silva, da Vara Regional das Garantias de Guarulhos, que expediu três mandados de busca e apreensão a casa do carcereiro, o 1.º Distrito Policial e a própria cadeia. As buscas contaram com Polícia Militar, Polícia Penal e cães farejadores.
Para a Promotoria, a unidade registrava um “fluxo incessante” de visitantes, boa parte sem qualquer parentesco com Leite, situação “completamente destoante das suas condições de custodiado, entre outras regalias incompatíveis com o cárcere”.
Cerca de duas semanas antes, uma câmera foi instalada em frente à cadeia para monitorar o movimento. Um Relatório Técnico de Análise Preliminar demonstra que o ex-vereador recebeu deputados, prefeitos aliados e amigos fora dos dias e horários autorizados, inclusive à noite e nos fins de semana, além de outras vantagens. O Ministério Público suspeita que Braga facilitava os acessos. Nos dias 8 e 9 de outubro, policiais disfarçados fizeram diligências no local.
Corregedoria da Polícia Civil instaurou inquérito e uma apuração preliminar que deve resultar em Processo Administrativo Disciplinar
As primeiras descobertas levaram a Promotoria a abrir um Procedimento Investigatório Criminal (PIC). No sábado, a Corregedoria da Polícia Civil instaurou inquérito e uma apuração preliminar que deve resultar em Processo Administrativo Disciplinar. Para os investigadores, os fatos podem configurar corrupção passiva, corrupção ativa e prevaricação.
O celular de Braga foi apreendido. A extração das mensagens pode apontar outros policiais ligados à rede de mordomias usada pelo ex-presidente da Câmara paulistana e revelar nomes de políticos que foram à cadeia em horários proibidos. Segundo o Estadão, os primeiros depoimentos já mostram contradições e expõem uma rotina de desmandos na prisão sem controle de acessos, conferência de visitas, transparência ou rigor.
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O post Carcereiro de Milton Leite justifica R$ 200 mil em casa: ‘Economia da vida toda’ apareceu primeiro em Revista Oeste.