O mercado financeiro permanece em compasso de espera, com indicadores e o mercado de câmbio operando sob forte volatilidade às vésperas da definição do processo eleitoral no Brasil.
Na manhã desta quinta-feira, 22, a três dias do segundo turno da eleição presidencial entre Flávio Bolsonaro (PL) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o dólar era negociado leve baixa frente ao real e o Ibovespa, principal índice da Bolsa de Valores do Brasil (B3), operava no vermelho.
+ Leia mais notícias de Economia em Oeste
Ibovespa
- Por volta das 11h15 (pelo horário de Brasília), o Ibovespa, principal indicador do desempenho das ações negociadas na B3, recuava 1,09%, aos 204.250,63 pontos.
- Na pontuação máxima neste início de pregão, o índice chegou aos 206.493,11 pontos. A mínima até aqui é de 204.199,65 pontos.
- No dia anterior, o Ibovespa fechou em queda de 0,86%, aos 206,4 mil pontos. Mesmo com o resultado, a bolsa brasileira ainda acumula ganhos de 10,75% em outubro e de 28,09% em 2026.
Dólar
- Também sob volatilidade, o dólar operava em alta frente ao real na sessão desta quinta-feira.
- Às 11h21, a moeda dos Estados Unidos avançava 0,32% e era negociada a R$ 5,043.
- Na cotação máxima do dia até aqui, o dólar bateu R$ 5,056. A mínima é de R$ 5,022.
- Na véspera, o dólar encerrou a sessão em alta de 0,17%, cotado a R$ 5,027. Com o resultado, acumula baixa de 2,84% no mês e de 8,41% no ano.
Mercado aguarda divulgação da pesquisa do Datafolha
No cenário doméstico, a reta final da corrida pela Presidência da República continua sendo o principal fator de influência sobre o mercado. A expectativa dos investidores se concentra na divulgação da pesquisa do Datafolha, prevista para o início da noite desta quinta-feira.
Na véspera, uma nova pesquisa da Quaest mostrou Flávio Bolsonaro com 45% das intenções de voto, ante 44% de Lula, em um cenário que conta os votos totais (incluindo brancos e nulos).
Como a margem de erro do levantamento é de 2 pontos porcentuais, para mais ou para menos, os candidatos estão tecnicamente empatados, com Flávio numericamente à frente.
Segundo a Quaest, Flávio Bolsonaro pode oscilar entre 43% e 47% das intenções de voto. Lula, por sua vez, pode variar de 42% a 46%.
Leia também: "Preço do petróleo sobe ao maior nível desde maio com ataques na Arábia Saudita"
Na rodada anterior da Quaest, divulgada na semana passada, Flávio Bolsonaro marcava 46% das intenções de voto contra 44% de Lula – na ocasião, um empate técnico no limite da margem de erro.
Em uma semana, portanto, o candidato do PL oscilou 1 ponto porcentual para baixo, enquanto Lula se manteve no mesmo patamar.
Ainda de acordo com o levantamento, 47% dos entrevistados desaprovam o terceiro mandato de Lula na Presidência da República, enquanto 46% o aprovam.
Em relação à pesquisa anterior, da semana passada, houve pequena oscilação: eram 48% os que desaprovavam o governo e 45% os que o aprovavam.
A pesquisa da Quaest também mediu qual é a percepção dos eleitores brasileiros sobre o governo Lula: 38% dos brasileiros avaliam a atual gestão como negativa, enquanto 34% a consideram positiva. São 26% os que classificaram o governo Lula como regular.
Na comparação com a pesquisa anterior da Quaest, a avaliação negativa oscilou 2 pontos porcentuais para baixo (era de 40%) e a positiva se manteve inalterada (34%).
Leia também: "Antes de debate na Globo e a 3 dias do 2° turno, Flávio visita Bolsonaro"
Análise
Segundo Rebecca Nossig, estrategista de ações da Nomad, o Ibovespa iniciou a sessão desta quinta-feira “operando com tom de cautela e refletindo a prudência dos investidores”. “Esse comportamento de abertura, pautado pela estabilidade com leve viés negativo, demonstra que os agentes financeiros preferem manter uma postura defensiva antes de assumirem posições de maior risco, aguardando definições mais claras que possam guiar a tendência do mercado ao longo do dia”, explica.
No âmbito interno, observa Nossig, “o grande vetor que dita o ritmo dos negócios e justifica essa abertura mais contida é a forte influência do período eleitoral”. “A poucos dias de uma votação decisiva para a Presidência, o mercado reage de forma sensível às pesquisas de intenção de voto, buscando antecipar e precificar os possíveis desdobramentos na condução da política econômica, fiscal e monetária do país”, diz a analista.
“Somado a esse clima de indefinição política, a temporada de divulgação de balanços corporativos adiciona uma camada extra de atenção, fazendo com que os investidores calibrem suas carteiras com base nos resultados trimestrais e avaliem como o cenário de juros tem impactado a rentabilidade das grandes companhias listadas”, completa Nossig.
Ainda de acordo com a analista, no ambiente internacional, “o pregão brasileiro também sente os reflexos da dinâmica externa, que no momento eleva consideravelmente a aversão ao risco devido à piora das tensões no Oriente Médio”. “O acirramento desse conflito geopolítico traz grande volatilidade para as principais commodities no exterior, impactando diretamente o mercado de petróleo e mantendo os investidores globais em compasso de espera, enquanto monitoram o desempenho das bolsas norte-americanas e a variação das taxas de juros globais”, conclui.
Como noticiou Oeste, os preços internacionais do petróleo avançaram ao maior nível desde maio, em meio à preocupação dos mercados com os novos ataques dos houthis na Arábia Saudita, o que gera temor de uma escalada no conflito do Oriente Médio.
Os investidores temem que o agravamento das tensões na região leve a novas interrupções no fornecimento de petróleo naquele que é o principal polo exportador do mundo.
Por volta das 10 horas desta quinta, o contrato futuro para dezembro do barril de petróleo do tipo Brent (referência para o mercado internacional) subia 2,76% e era negociado US$ 111,82. Mais cedo, o barril do Brent chegou a ser vendido a US$ 112,55. Trata-se do maior patamar desde o dia 18 de maio.
Leia também: "Bolsa muda sinal e cai com redução da vantagem de Flávio sobre Lula; dólar sobe"
O post Dólar sobe e bolsa recua com alta do petróleo e à espera do Datafolha apareceu primeiro em Revista Oeste.