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EUA, China e Rússia podem discutir fim da guerra sem a Ucrânia

EUA, China e Rússia podem discutir fim da guerra sem a Ucrânia

Brasil Estado | 19/10/2026 às 13:45 | há 2 semanas | 4 min de leitura

O presidente da Rússia, Vladimir Putin, apresentou uma proposta para discutir o futuro da guerra na Ucrânia com os líderes dos Estados Unidos, Donald Trump, e da China, Xi Jinping. A iniciativa, revelada pelo jornal norte-americano The Wall Street Journal no domingo 18, prevê uma reunião em novembro, durante a cúpula da Cooperação Econômica Ásia-Pacífico (Apec), marcada para os dias 18 e 19, em Shenzhen, no sul da China.

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A existência desta possibilidade foi reconhecida pelo governo norte-americano, nesta segunda-feira, 19. Em visita ao Uzbequistão, o secretário de Estado Marco Rubio afirmou que o tema foi discutido, embora não tenha conhecimento de qualquer definição. Trump permanece, segundo Rubio, disposto a avaliar iniciativas que possam contribuir para uma solução diplomática do conflito, iniciado em fevereiro de 2022.

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Rubio admitiu, contudo, que os esforços de Washington ainda não produziram os resultados esperados. Ele ressaltou que a administração norte-americana continuará procurando alternativas para interromper as hostilidades.

A proposta teria sido apresentada por Putin em 9 de outubro, durante uma conversa telefônica com Trump. Conforme uma fonte ligada anteriormente aos serviços de inteligência russos, ouvida pelo jornal, os presidentes também trataram de um entendimento comercial envolvendo a compra de diesel russo pelos EUA e a facilitação de sua comercialização.

Apesar dos contatos, a Casa Branca ainda não assumiu compromisso com a realização da cúpula. Uma autoridade norte-americana informou que Trump poderia considerar o convite em razão de seu interesse em encerrar a guerra.

O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, confirmou que o assunto permanece em discussão, mas esclareceu que não existe consenso sobre a realização do encontro nem sobre os temas que seriam abordados.

Um dos aspectos mais controversos da iniciativa é a ausência prevista do presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky. A possibilidade de os dirigentes das três potências discutirem o conflito sem a representação de Kiev poderia provocar resistência entre governos europeus.

O cenário também surge em meio ao agravamento das divergências públicas entre Trump e Zelensky. No sábado 17, o presidente ucraniano criticou a decisão norte-americana de suspender sanções contra Moscou e tarifas sobre produtos russos pouco antes de sua entrada em vigor. Na avaliação de Zelensky, a medida poderia estimular a continuidade dos ataques russos.

Trump reagiu no domingo, por meio da rede Truth Social, ao questionar a disposição do governante ucraniano de negociar o encerramento da guerra. O norte-americano também defendeu o fim das ofensivas de Kiev contra refinarias de diesel na Rússia e sugeriu uma mudança na Presidência ucraniana.

Outro ponto de atrito envolve o compartilhamento de informações militares. Zelensky declarou à NBC News que os EUA haviam interrompido durante três dias o fornecimento de dados de inteligência em um período de ataques com mísseis balísticos contra a Ucrânia.

Rubio rejeitou a acusação nesta segunda-feira. O secretário de Estado afirmou que não ocorreu qualquer suspensão e questionou a origem das informações apresentadas pelo presidente ucraniano.

Para Pequim, a eventual reunião representaria uma oportunidade de ampliar sua influência nas negociações internacionais. Yun Sun, diretora do programa sobre a China no Stimson Center, instituto de pesquisas sediado em Washington, afirmou que o governo chinês pretende ocupar uma posição central nas relações entre as grandes potências, inclusive como possível intermediário entre Washington e Moscou.

Dificuldades para China sediar reunião entre Estados Unidos e Rússia

A iniciativa, entretanto, apresenta dificuldades para Xi Jinping. Segundo fontes consultadas pelo jornal, autoridades chinesas receiam que um encontro dedicado à Ucrânia retire o protagonismo da China na programação da Apec.

Há ainda o componente europeu. Pequim procura preservar sua aproximação com Putin sem comprometer os vínculos econômicos que mantém com países da Europa. Uma negociação trilateral sobre a guerra, sem representantes ucranianos, poderia aumentar as tensões com esses parceiros.

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Procurado sobre a possibilidade da cúpula, um representante do Ministério das Relações Exteriores chinês declarou nesta segunda-feira que não dispunha de informações para divulgar.

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