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Justiça torna réus 12 denunciados por queda de avião da Voepass que matou 62 pessoas

Justiça torna réus 12 denunciados por queda de avião da Voepass que matou 62 pessoas

Brasil Estado | 21/10/2026 às 15:30 | há 1 semana | 4 min de leitura

A Justiça Federal tornou réus 12 denunciados pelo Ministério Público Federal (MPF) por envolvimento na queda do avião da Voepass em Vinhedo (SP), que deixou 62 mortos em 9 de agosto de 2024. A decisão foi divulgada nesta quarta-feira, 21. Os réus respondem por atentado contra a segurança do transporte aéreo e sinistro em transporte aéreo. Entre eles estão o dono da empresa, José Luiz Felício Filho, diretores e dois funcionários que tiveram participação direta nos fatos.

A denúncia do MPF sustenta que os crimes atribuídos aos acusados não se limitam às causas imediatas do acidente. Segundo o órgão, as práticas adotadas pela companhia priorizavam a redução de despesas e o lucro em detrimento da manutenção das aeronaves.

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A lista de réus inclui integrantes da alta administração que ocupavam cargos de direção e chefia na época do acidente. São eles:

  • José Luiz Felício Filho (dono),

  • Marcel Sarquis Moura (diretor de Operações),

  • Carlos Alberto Costa (diretor de manutenção),
  • Eric Consoli (diretor técnico),
  • David da Costa Faria Neto (diretor de Segurança Operacional),
  • Rafael Gimenez Rodrigues (piloto-chefe),
  • Tiago Passucci Morani (inspetor-chefe e gerente de engenharia),
  • William Schmidt Agatz (gerente do Centro de Controle Operacional),
  • Juliano Flores Pacheco (gerente do Centro de Controle de Manutenção),
  • Raphael Limongi de Figueiredo (chefe do Centro de Controle Operacional),
  • Marcos Hiroyuki Sato (despachante de voo responsável pelo voo 2283) e
  • Alex de Souza Leandro (mecânico).

Outras quatro pessoas indiciadas pela Polícia Federal firmaram acordos de não persecução penal com o MPF. Por isso, não foram incluídas na denúncia.

Denúncia aponta prioridade a lucros e falhas de manutenção

Segundo o MPF, as investigações identificaram diretrizes internas voltadas à redução de custos e à manutenção da operação das aeronaves mesmo diante de riscos à segurança. A denúncia afirma que aviões da companhia tinham registros falsos de manutenção ou passavam por reparos considerados precários, com uso de peças de baixa qualidade e sem rastreabilidade.

https://www.youtube.com/watch?v=dPCHNV-ejr4

O documento também aponta pressão sobre equipes para que falhas identificadas durante voos e inspeções em solo não fossem registradas nos livros de ocorrência. Para o órgão, o desastre não foi um episódio isolado, mas um "desfecho previsível de um processo continuado de omissões deliberadas".

Avião voou sob alerta de gelo severo sem certificação

As apurações indicam que a empresa sabia que o modelo ATR 72-500 não possuía certificação ou homologação da fabricante para operar em condições críticas de gelo. Mesmo assim, a aeronave foi escalada para o voo entre Cascavel (PR) e Guarulhos (SP) em 9 de agosto de 2024, quando havia alertas para formação de gelo severo ao longo da rota.

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O MPF afirma que problemas no sistema de degelo contribuíram para a perda de sustentação da aeronave. Conforme a denúncia, pilotos e gestores da companhia conheciam falhas nesse mecanismo havia pelo menos um ano, mas a ausência de registros oficiais permitia que o avião permanecesse em operação.

Em nota, a Voepass afirmou que o processo seguirá os trâmites previstos em lei e que a companhia continuará colaborando com o Poder Judiciário e as autoridades competentes. A empresa declarou que, ao longo de mais de três décadas, manteve a segurança operacional como princípio fundamental.

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A defesa de José Luiz Felício Filho informou que se manifestará nos autos no momento adequado. Segundo os advogados, Felício integrava o Conselho da Voepass e estava afastado da gestão direta e cotidiana da operação à época do acidente. Ele retomou a gestão executiva depois da queda do avião.

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