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Lula pode ser ‘varrido’ pela direita e se aposentar com derrota, diz revista dos EUA

Lula pode ser ‘varrido’ pela direita e se aposentar com derrota, diz revista dos EUA

Brasil Estado | 22/10/2026 às 16:00 | há 1 semana | 4 min de leitura

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), candidato à reeleição, está prestes a sofrer sua derrota eleitoral definitiva, que representaria uma grande vitória para a direita latino-americana e o fim da carreira política do petista. A avaliação está em um artigo publicado nesta quarta-feira, 21, pela revista norte-americana The New Yorker, de linha editorial progressista. 

O texto,  intitulado “A última dança de Lula” e assinado por Ishaan Tharoor na coluna Global Notes, afirma que “o outrora imponente líder de esquerda do Brasil pode, em breve, ser varrido pela onda de direita na América Latina”. 

No próximo domingo, 25, Lula disputará o segundo turno da eleição presidencial contra o senador Flávio Bolsonaro (PL), que venceu na primeira rodada e está à frente nas pesquisas de intenção de voto. Será a sétima vez que Lula concorre à Presidência – ele perdeu em 1989, 1994 e 1998 e venceu em 2002, 2006 e 2022. 

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“Lula tem diante de si uma derrota que pode encerrar sua trajetória política, com as probabilidades favorecendo Flávio Bolsonaro – um desafiante de extrema-direita que, assim como seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, atualmente preso, está determinado a desmantelar o legado de Lula”, diz o artigo. 

Ainda segundo a New Yorker, o resultado do primeiro turno da eleição, em 4 de outubro, foi “desanimador” para Lula e o PT. Flávio Bolsonaro obteve 47,03% dos votos válidos (56,1 milhões), ante 45,16% de Lula (53,8 milhões). 

“Em um resultado surpreendente, o candidato que busca a reeleição ficou dois pontos atrás de Bolsonaro – hoje senador –, ao mesmo tempo em que partidos e candidatos de direita avançaram nas eleições para o Congresso e para os governos estaduais em todo o país”, destacou a revista. 

Texto é intitulado "A última dança de Lula" e assinado por Ishaan Tharoor | Foto: Reprodução

O artigo afirma ainda que, diante do favoritismo de Flávio e da avaliação predominantemente negativa do atual governo, as chances de Lula residem em um eventual comparecimento às urnas dos eleitores que se abstiveram no primeiro turno. 

"Lula espera que milhões de brasileiros descontentes, que não votaram no primeiro turno, ainda compareçam às urnas para votar nele", escreve Tharoor. "Mesmo que Lula consiga uma vitória apertada, ele poderá passar seu próximo mandato bastante limitado por uma estrutura federal dominada pela direita", completa a revista norte-americana. 

Leia também: "Antes de debate na Globo e a 3 dias do 2° turno, Flávio visita Bolsonaro"

https://www.youtube.com/watch?v=MzsJrKeMwrc

Comparação entre Lula e Biden

No texto, a revista diz que o Brasil está "prestes a se tornar o nome mais importante em uma longa lista de países latino-americanos que se voltaram para a direita nos últimos dois anos", em uma uma "guinada" que deve aproximar o país do governo do presidente dos EUA, Donald Trump. 

"As duas maiores democracias do Hemisfério Ocidental vivem uma realidade compartilhada em cronologias distintas: tanto Jair Bolsonaro quanto Trump lançaram-se como demagogos antissistema, promovendo um nacionalismo divisivo que explorou a apatia e a desilusão generalizadas do eleitorado, e conquistaram uma base entre cristãos evangélicos fervorosos", diz a New Yorker.

A revista ainda faz comparações entre Lula e o ex-presidente dos EUA Joe Biden, do Partido Democrata, que governou o país de 2021 a 2025, depois de derrotar Trump na eleição de 2020. Ao contrário de Lula, porém, Biden não se candidatou à reeleição – Kamala Harris disputou a Casa Branca em 2024 e perdeu para Trump. 

"Ninguém pode acusar Lula, como fizeram com Biden, de não ter a capacidade mental e física necessária para o cargo. Suas redes sociais trazem vários vídeos dele praticando exercícios”, pondera a revista, antes de apontar semelhanças entre o presidente brasileiro e o ex-mandatário dos EUA.

"Lula e Joe Biden, veteranos bem conhecidos de um status quo mais antigo e de orientação liberal, pareciam ser o tipo certo de político para impedir a reeleição de Bolsonaro e Trump, respectivamente. Contudo, não conseguiram derrotar o trumpismo ou o bolsonarismo enquanto movimentos”, diz o artigo. 

"Assim como Biden, Lula constatou, neste pleito, que um número desconcertante de seus compatriotas permaneceu indiferente aos seus apelos para salvar a democracia daqueles que buscam miná-la", conclui a New Yorker. 

Leia também: "Ex-ministros de Lula e Dilma, Aldo Rebelo e Mangabeira Unger declaram apoio a Flávio"

https://www.youtube.com/watch?v=ptiNigG4wyI

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