Mensagens encontradas no celular do ex-banqueiro Daniel Vorcaro indicam que o presidente do União Brasil, Antônio Rueda, e o vice-presidente da legenda, ACM Neto, intermediaram a captação de recursos de institutos de previdência para o Banco Master. As informações fora divulgadas pelo portal Uol.
Em proposta de delação, Vorcaro afirmou que os dirigentes atuavam em troca de 10% dos valores aplicados por fundos estaduais. A Polícia Federal (PF) e a Procuradoria-Geral da República (PGR), porém, rejeitaram a colaboração. O Master repassou R$ 6,4 milhões a escritórios de Rueda e R$ 5,4 milhões a uma consultoria de ACM Neto.
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As conversas indicam que o banco atribuía aos políticos o sucesso nas captações. A PF pediu buscas em endereços ligados aos dois, mas o Supremo Tribunal Federal (STF) não autorizou a operação. Rueda afirma que prestou serviços advocatícios. ACM Neto diz que recebeu por consultoria. Ambos negam irregularidades.
Conversas citam viagens, aportes e comissões
Rueda e Vorcaro começaram a se falar em novembro de 2023. No dia 12, o diretor comercial do Master, Fernando Mascarenhas, informou que o político havia ligado com boas notícias. Vorcaro marcou um encontro para o dia seguinte.
Dois dias depois, Mascarenhas pediu autorização para viajar a Estados onde o banco buscava recursos previdenciários. Disse que “nosso amigo” havia marcado visitas a Porto Alegre, Rondônia e Amazonas. Vorcaro confirmou que organizaria a logística.
A viagem ocorreu no jato do banqueiro. Mascarenhas, Rueda e os intermediários Ricardo e Raphael constavam na lista de passageiros. Em 21 de novembro, Mascarenhas escreveu: “Irmão, o negócio vai ficar gigante, nosso amigo até final do ano resolve 1,2 b”. No entanto, Rueda negou participação e afirmou que estava em São Paulo.
Em abril de 2024, Mascarenhas informou o avanço da captação no Amapá: “Amapá, confirmed 400”. Vorcaro respondeu: “Quero ver nosso amigo apertar o enter”. A aprovação saiu em 12 de julho, quando uma reportagem revelou uma crise na Caixa Asset envolvendo títulos do Master.
Rueda pediu para Vorcaro apagar mensagens
Naquele dia, o tesoureiro Alberto Felix avisou que a operação não sairia “por causa da notícia da CEF”. Disse que a reunião no Amapá ocorria, mas que Rueda havia informado que seguraria as operações. Às 11h45, o dirigente apagou dez mensagens e escreveu: “Apaga essas mensagens”.
Uma hora depois, Mascarenhas informou a aprovação de R$ 200 milhões no Amapá. Também listou captações em andamento: R$ 400 milhões no Amapá, R$ 350 milhões no Rio, R$ 250 milhões no Amazonas, R$ 160 milhões em Campos dos Goytacazes, R$ 500 milhões em Maricá, R$ 100 milhões em Belo Horizonte e R$ 200 milhões em Alagoas.
Consultoria paga pelo Master
Ainda em julho, Felix perguntou sobre a comissão da “consultoria do Ricardo/Raphael” pela operação do Amapá, no valor de R$ 8,9 milhões. No dia seguinte, Vorcaro autorizou uma nota de R$ 8 milhões.
A investigação atribui a consultoria a Ricardo Siqueira Rodrigues, o Ricardo Gordo, apontado como lobista de Vorcaro no Rioprevidência. Raphael relatou a Felix que Rueda seguraria as operações. O dirigente nega participação nas negociações.
Em 1º de agosto, a tesouraria registrou R$ 11 milhões em comissão pelo Amapá. A Amapá Previdência já havia transferido R$ 300 milhões ao banco. A consultoria de Ricardo Gordo cobrava 10%, percentual citado por Vorcaro no suposto acordo com os dirigentes. As mensagens não registram pagamento direto de comissão a Rueda ou ACM Neto.
Mensagens mencionam influência e favores a Rueda
Em junho de 2024, Mascarenhas avisou sobre R$ 50 milhões da Amazonprev. Em julho de 2025, o lobista Julio Cezar Avelino disse que a operação no Amazonas daria certo porque Rondônia tinha o mesmo grupo de influência. O executivo Luiz Rennó também citou Rueda ao tratar de negócios no Rio.
As conversas registram favores oferecidos ao político. Em dezembro de 2023, Vorcaro colocou seus jatos à disposição de Rueda: “Usa como seu”. Já em maio de 2024, enviou um avião para levar a família do dirigente à Fórmula 1 em Miami. No mês de março, mencionou uma hospedagem no hotel Rosewood, em São Paulo, depois de Rueda pedir: “Cuida de mim”.
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Em agosto de 2024, o jurídico do Master apresentou a contratação do escritório Rueda & Rueda Advogados para quatro ações, por R$ 15,4 milhões. O dirigente também intermediou o contato com o presidente do Banco de Brasília (BRB), Paulo Henrique Costa.
Em julho, Vorcaro visitou a casa de Rueda e enviou a primeira mensagem a Costa. Dois dias depois, o dirigente escreveu: “PH precisando falar c vc”.
Rueda afirmou que manteve relação “eminentemente profissional” com o Master, com notas fiscais e impostos recolhidos. Disse que trechos sob sigilo foram retirados de contexto para criar suspeitas e anunciou medidas para resguardar sua honra e imagem.
Dirigentes passaram fim de semana na casa de Vorcaro em Trancoso
ACM Neto e Rueda passaram um fim de semana na casa de Vorcaro em Trancoso, na Bahia, em setembro de 2024, com o deputado Elmar Nascimento (União-BA). Em outubro, ACM pediu uma conversa entre os três. O encontro ocorreu em uma charutaria em São Paulo.
Nove dias depois, ACM escreveu: “As coisas em Brasília estão consolidadas e, felizmente, saiu tudo como desejávamos na política”. Na semana seguinte, Fabiano Zettel, operador financeiro e cunhado de Vorcaro, perguntou como responder a Marcos Moura, identificado na mensagem como “ACM”. Vorcaro orientou: “Pega com Gustavo / E Minas”.
Moura integra a Executiva do União Brasil e é investigado por suspeita de desvio em licitações. “Minas” identifica Antônio Carlos Freixo Júnior, apontado na proposta de delação como gerador de dinheiro em espécie. Vorcaro afirmou que ACM recebia recursos gerados por Freixo.
Zettel escreveu depois que o “cara do ACM” o procurava em São Paulo e perguntou se precisava buscar “Minas”. As mensagens não especificam valores nem o conteúdo das entregas.
ACM Neto nega intermediação e recebimento em espécie
O Master também atribuiu a ACM a inclusão do banco na lista do Ministério da Previdência que permitia receber recursos de regimes próprios. O ex-prefeito negou interferência e afirmou que nunca participou do governo federal.
ACM disse que jamais intermediou aplicações no Master, inclusive do Amapá Previdência. Afirmou que não conhece Zettel e classificou como “absurda e criminosa” a tentativa de associá-lo aos diálogos.
Segundo ele, os pagamentos decorreram de consultoria prestada desde janeiro de 2023, com notas fiscais e impostos recolhidos. ACM classificou os vazamentos como “seletivos, manipulados e fora de contexto” e acusou o governo federal de tentar desgastá-lo. Disse estar à disposição das autoridades desde março de 2026.
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Na proposta de delação, Vorcaro atribuiu a Rueda a abertura de portas nos institutos do Rio, Amapá e Amazonas, além da Cedae. Os órgãos previdenciários dos três Estados foram alvos de desdobramentos da Operação Compliance Zero, que investiga fraudes do Master.
A PF prendeu o ex-presidente do Rioprevidência Deivis Marcon Antunes em fevereiro deste ano. A investigação indica que Rueda articulou sua indicação com o governador Cláudio Castro (PL). Segundo a corporação, o órgão destinou cerca de R$ 2 bilhões ao Master.
No Amapá, um comitê presidido por Jocildo Silva Lemos aprovou R$ 400 milhões. Ex-tesoureiro de campanha de Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), Lemos assumiu por indicação do senador. No Amazonas, o presidente que autorizou R$ 50 milhões havia tomado posse 28 dias antes. Ele foi contador da campanha de reeleição do governador Wilson Lima (União Brasil).
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