Levantamento do jornal O Estado de S. Paulo afirma que o "pacote de bondades" do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) já soma R$ 405 bilhões em ano eleitoral. A ferramenta monitora os desembolsos federais em tempo real e contabiliza programas de crédito, subsídios e renúncias de receitas.
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O montante inclui a isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 7 mil, benefícios sociais como Bolsa Família, Pé-de-Meia e Gás do Povo, além de gastos com publicidade institucional. A conta também computa iniciativas fora do Orçamento, como o Desenrola Brasil e o Luz do Povo, que é pago pelos demais consumidores de energia.
O valor total varia ao longo do ano porque o Planalto anuncia novas medidas com frequência na corrida eleitoral. Entre os pacotes recentes estão o reajuste de 15% no Bolsa Família, o Desenrola 3.0, o perdão de dívidas para microempreendedores e a proposta de tarifa zero no transporte público aos domingos, enviada ao Congresso na semana do segundo turno.
Especialistas avaliam que a sequência de benefícios aumenta o endividamento público. Para Selene Nunes, ex-secretária de Fazenda de Goiás, o custo econômico não desaparece. "Se o governo concede subsídio, assume risco ou se endivida, alguém paga essa conta", afirmou ao Estadão. "Hoje ou no futuro."
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Daniel Couri, consultor de orçamentos do Senado, aponta falta de compromisso com o ajuste fiscal. "Não duvido que intensifique os incentivos, dobrando a aposta", declarou. Para Marcus Pestana, diretor da Instituição Fiscal Independente, o reajuste do Bolsa Família gera um gasto extra de R$ 24 bilhões em 2027.
Governo já admite falta de recursos a partir de 2028
Em caso de reeleição do presidente Lula, o próprio governo federal enviou um documento ao Congresso Nacional. O texto aponta a necessidade de rever gastos para manter o arcabouço fiscal. O corte deve atingir R$ 53,7 bilhões até 2030. A equipe econômica projeta falta de recursos a partir de 2028. O déficit será de R$ 15,8 bilhões naquele ano e R$ 14,9 bilhões em 2029. Em 2030, o rombo atinge R$ 23 bilhões.
O detalhe central é que o cálculo oficial omite as medidas do pacote de bondades anunciadas na campanha. O reajuste do Bolsa Família e o Pix de R$ 5 mil para microempreendedores ficaram de fora. O passe livre no transporte público também não entrou na conta.
As novas promessas exigirão ajustes de ao menos R$ 39,8 bilhões no Orçamento de 2027. O Ministério do Planejamento classifica a projeção como um exercício contábil e nega desequilíbrio nas contas.
Pacote de bondades: entenda o que entrou na conta
A Secretaria de Comunicação da Presidência da República afirmou em nota que considera "descabida e metodologicamente insustentável" a classificação dos desembolsos como eleitorais. A pasta classificou as medidas como "ações indispensáveis" para manter jovens na escola, proteger empregos e conter a inflação. "Governos não deixam de governar em ano de eleição", declarou a Secom.
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