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PF pede mais 90 dias para investigar financiamento de filme sobre Bolsonaro

PF pede mais 90 dias para investigar financiamento de filme sobre Bolsonaro

Brasil Estado | 17/10/2026 às 19:30 | há 2 semanas | 3 min de leitura

A Polícia Federal (PF) pediu ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), a prorrogação por mais 90 dias do inquérito que investiga o financiamento de Dark Horse, filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

A investigação envolve o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato à Presidência da República.

O inquérito foi aberto em julho, a pedido da PF e com parecer favorável da Procuradoria-Geral da República (PGR). Os investigadores apuram suspeitas de lavagem de dinheiro, evasão de divisas, corrupção e outros possíveis crimes. Flávio Bolsonaro figura formalmente como investigado.

O caso ganhou repercussão em maio, depois da divulgação de mensagens entre Flávio e Vorcaro sobre o financiamento do longa-metragem. Inicialmente, o senador negou ter solicitado dinheiro ao ex-banqueiro, mas posteriormente reconheceu a conversa. Ele afirmou que os recursos eram privados e negou irregularidades.

Segundo Karina Ferreira da Gama, proprietária da Go Up Entertainment, produtora do filme, Vorcaro financiou mais de 90% da produção. O orçamento executado até maio chegava a US$ 13 milhões, aproximadamente R$ 65,7 milhões à época.

A PF investiga transferências de recursos ligados a Vorcaro para os Estados Unidos e apura se parte do dinheiro foi utilizada para custear despesas de Eduardo Bolsonaro no país. O ex-deputado negou ter recebido valores de um fundo ligado ao banqueiro. Ele afirmou que investiu US$ 50 mil no projeto e posteriormente recebeu o dinheiro de volta.

PF investiga emendas parlamentares ligadas à produtora de filme de Bolsonaro

Em outra frente, sob relatoria do ministro Flávio Dino, a PF apura suspeitas de desvio de R$ 2 milhões em emendas parlamentares indicadas pelo deputado Mario Frias (PL) a entidades relacionadas à proprietária da Go Up Entertainment.

A investigação começou depois de um pedido da deputada Tabata Amaral (PSB-SP). Entre as organizações investigadas estão o Instituto Conhecer Brasil (ICB) e a Academia Nacional de Cultura (ANC), presididos por Karina Ferreira da Gama.

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Em 10 de setembro, a PF e a Controladoria-Geral da União (CGU) deflagraram a Operação Make Up, que cumpriu 49 mandados de busca e apreensão em quatro unidades da Federação. Mario Frias e Karina estavam entre os alvos. São investigados possíveis crimes de peculato, falsidade documental, lavagem de dinheiro, organização criminosa e crimes licitatórios.

Um relatório da PF identificou coincidência temporal entre movimentações financeiras da produtora e repasses das emendas destinadas por Frias. Os investigadores suspeitam que recursos públicos possam ter custeado despesas durante as gravações. Também foi identificada uma transferência de R$ 645,4 mil do deputado para a Go Up Entertainment.

Frias, que atua como roteirista e produtor-executivo do filme, negou que as emendas tenham financiado a produção. Flávio Bolsonaro também rejeitou a suspeita de uso de dinheiro público e acusou Dino de interferência política nas eleições.

Defesa tentou transferir investigação para Mendonça

O ministro André Mendonça, durante sessão na 2ª Turma do STF | Foto: Reprodução/Flickr/Supremo Tribunal Federal

Entre 3 e 29 de julho, a defesa de Flávio Bolsonaro tentou quatro vezes transferir para André Mendonça a investigação conduzida por Flávio Dino.

Os advogados argumentaram que Mendonça deveria concentrar as apurações relacionadas ao filme. Atualmente, o ministro investiga os repasses ligados a Vorcaro, enquanto Dino conduz a investigação sobre possíveis desvios de emendas parlamentares.

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