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Reino Unido usa contabilidade “criativa” para atingir meta de financiamento climático

Reino Unido usa contabilidade “criativa” para atingir meta de financiamento climático

Brasil Estado | 04/11/2026 às 23:45 | há 3 horas | 3 min de leitura

O Reino Unido estabeleceu uma meta de fornecer 11,6 bilhões de libras esterlinas (R$ 85,3 bilhões) em ajuda climática para países em desenvolvimento de 2021 a 2026. Segundo dados oficiais obtidos pela Carbon Brief, o país superou essa cifra, totalizando 12,8 bilhões de libras (R$ 94,1 bilhões). Mas, se não fosse uma contabilidade “criativa”, o governo britânico não teria atingido seu objetivo, que é parte de suas obrigações no âmbito do Acordo de Paris.

Uma análise da Carbon Brief revela que cerca de 2,1 bilhões de libras (R$ 15,4 bilhões) dos fundos que o Reino Unido contabilizou para atingir a meta não vieram de novos gastos. Em vez disso, o governo britânico reclassificou o financiamento existente para bancos de desenvolvimento, investimentos do setor privado e ajuda ao Afeganistão, ao Sudão e a outras nações devastadas por guerras como “financiamento climático”. Não fosse isso, o Reino Unido teria ficado quase 1 bilhão de libras (R$ 7,3 bilhões) abaixo de sua promessa.

A análise baseia-se em inúmeros pedidos de acesso à informação e revela detalhes, até então inéditos, sobre os gastos britânicos com financiamento climático. Para especialistas e parlamentares, o uso de contabilidade “questionável” demonstra que o Reino Unido está “apertando atalhos” para atingir suas metas climáticas, ao mesmo tempo em que realiza cortes sem precedentes em seu orçamento de ajuda externa.

O Reino Unido e outros países desenvolvidos são obrigados, nos termos dos tratados climáticos da ONU, a fornecer financiamento climático “novo e adicional” para ajudar os países em desenvolvimento a combater as mudanças do clima. Essas nações também têm metas específicas para “mobilizar” US$ 100 bilhões (R$ 545 bilhões) em financiamento climático por ano até 2025 e “pelo menos” US$ 300 bilhões (R$ 1,6 trilhão) até 2035.

Assim, em 2019, o governo conservador britânico prometeu disponibilizar 11,6 bilhões de libras entre os anos fiscais de 2021-22 e 2025-26, o dobro da sua meta anterior para cinco anos. Mas, desde então, sucessivos governos reduziram drasticamente o montante destinado à ajuda externa, alegando dificuldades econômicas e a necessidade de maiores gastos com defesa.

Para manter a meta enquanto reduzia os auxílios, o governo conservador decidiu, em 2023, flexibilizar os critérios para o que definia como gastos “climáticos”. Isso permitiu ao Reino Unido manter seu compromisso sem gastar mais em novos projetos climáticos, simplesmente renomeando fundos existentes. O atual governo trabalhista optou por manter essa abordagem, ao mesmo tempo em que se comprometeu a cortar ainda mais os gastos com ajuda externa.

Ao revelar a redução drástica feita pelo governo do Reino Unido à ajuda aos países da Commonwealth, o Guardian destaca que o financiamento para a natureza foi particularmente afetado. Muitos países da comunidade britânica não só tiveram seus fundos de ajuda drasticamente reduzidos, como também foram impedidos de se candidatar aos fundos da Iniciativa Darwin para a proteção da natureza.

Pelo menos 26 países da Commonwealth foram impedidos de receber fundos do programa Darwin, que existe há muito tempo e representa cerca de 40 milhões de libras (R$ 293,7 milhões) por ano.

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Este conteúdo é originalmente de climainfo.org. Para a reportagem completa, acesse:
https://climainfo.org.br/2026/11/04/reino-unido-usa-contabilidade-criativa-para-atingir-meta-de-financiamento-climatico/

Fonte: climainfo.org · Por Ian Mello

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