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Tesouro Nacional promove cursos de gênero e diversidade durante expediente que garantem pontos para teletrabalho

Tesouro Nacional promove cursos de gênero e diversidade durante expediente que garantem pontos para teletrabalho

Brasil Estado | 22/10/2026 às 17:45 | há 1 semana | 4 min de leitura

A Secretaria do Tesouro Nacional, vinculada ao Ministério da Fazenda, promove cursos sobre gênero e diversidade durante o expediente e oferece pontos aos participantes em uma seleção interna para modalidades mais flexíveis de teletrabalho.

As atividades integram um programa desenvolvido em parceria com o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento. O curso faz parte de uma trilha mais ampla, composta de cinco módulos e aproximadamente 20 horas de formação.

Documentos obtidos por Oeste mostram que as capacitações abordam questões como feminismo, desigualdade de gênero, "interseccionalidade" e comportamentos considerados discriminatórios.

A participação é facultativa, mas os certificados podem ajudar os servidores a melhorar a classificação no Programa de Gestão e Desempenho (PGD) trimestral.

A programação desta semana contempla dois encontros, com duração de três horas e meia cada, realizados das 14h30 às 18h, pela plataforma Microsoft Teams:

  • O primeiro ocorreu na terça-feira 20, com o tema "Introdução à Diversidade, Equidade e Inclusão";
  • O segundo, marcado para esta quinta-feira, 22, trata de "Gênero e Interseccionalidades".

Um comunicado interno diz que os servidores precisam acompanhar 90% das atividades para obter o certificado de conclusão. Quem atingir 80%, recebe o certificado de participação. Ambos podem ser levados à próxima seleção do PGD.

De acordo com um servidor ouvido sob condição de anonimato, o regime mais flexível permite trabalhar remotamente durante quase todo o trimestre, com apenas quatro dias de comparecimento presencial.

A escolha dos beneficiados depende de um processo seletivo realizado semestralmente, no qual as horas de capacitação são consideradas.

O funcionário afirma que a pontuação desses cursos pode fazer diferença na classificação. Ele teme ser prejudicado caso não participe das atividades.

Aulas no Tesouro Nacional abordam feminismo e desigualdade de gênero

O material utilizado no primeiro módulo tem 68 páginas e foi elaborado pela Diverse Consultoria, empresa especializada em diversidade, equidade e inclusão.

A apresentação identifica a consultoria como responsável pelo programa de capacitação, no âmbito de um projeto de cooperação técnica entre o Tesouro e o PNUD.

Entre os assuntos apresentados estão a trajetória dos direitos da mulher, desigualdade no mercado e a participação feminina em cargos de liderança.

Os servidores também recebem explicações sobre termos como:

  • manterrupting, utilizado para descrever interrupções recorrentes da fala de mulheres; e
  • mansplaining, empregado quando um homem explica determinado assunto de maneira condescendente, presumindo que uma mulher não o compreende.

Outra atividade, intitulada "Jogo dos privilégios de gênero", convida os participantes a refletir em situações de discriminação, como interrupções em reuniões, apropriação de ideias e constrangimentos no ambiente profissional.

A apresentação ainda recomenda que os funcionários incorporem recortes de gênero e raça aos produtos técnicos do Tesouro.

Medida provoca críticas entre servidores

A associação entre a capacitação e a seleção para teletrabalho gerou desconforto entre integrantes do corpo técnico.

Um servidor ouvido por Oeste criticou o que considera uma interferência ideológica nas atividades do órgão, responsável por funções como a administração da dívida pública e a gestão financeira do governo federal.

"Minha principal crítica à utilização de cursos de viés ideológico para obter pontos em uma seleção que, para muitos, se faz necessária em termos de custo e qualidade de vida consiste na afronta à dignidade do servidor que possui outra visão", afirmou.

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Segundo ele, uma das aulas chegou a reunir 178 participantes. O funcionário também relatou que os encontros não são gravados, o que impede o acompanhamento posterior por quem esteja ocupado com outras atividades durante o expediente.

A coluna procurou o governo para esclarecer a justificativa das capacitações, os custos envolvidos e os critérios de pontuação para o teletrabalho, mas não obteve retorno até o fechamento desta reportagem. O espaço segue aberto.

https://www.youtube.com/watch?v=KgGGDTXRAMg&list=PLVZw0TiSMiCs&index=12&pp=iAQB

Leia também: "Máquina de mentiras", reportagem publicada na Edição 345 da Revista Oeste


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