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El Niño deve matar quase 900 mil pessoas e elevar preços dos alimentos em 18% até 2027

El Niño deve matar quase 900 mil pessoas e elevar preços dos alimentos em 18% até 2027

Brasil Estado | 04/11/2026 às 00:30 | há 58 minutos | 3 min de leitura

O calor associado ao “Super El Niño”, que está em vigor e ainda ganhando força, pode resultar em 857,4 mil mortes adicionais em todo o mundo entre junho deste ano, quando o fenômeno começou, e março de 2027, quando deve terminar. Desse total, 372,9 mil letalidades são projetadas para os próximos seis meses.

No Brasil, a estimativa chega a 26,7 mil óbitos adicionais ao longo dos dez meses analisados. O país aparece em sexto lugar entre os que têm as maiores estimativas de mortes, atrás de Índia (160 mil), China (85,4 mil), Nigéria (69,7 mil), Sudão (53,2 mil) e Indonésia (49,5 mil). Se for considerado apenas o intervalo de outubro deste ano a março de 2027, a Nigéria lidera com cerca de 55 mil óbitos.

Os números são de um novo estudo do Climate Impact Lab, iniciativa de pesquisa ligada à Universidade de Chicago, nos Estados Unidos, informam Carta Capital e Um só planeta. O levantamento aponta que os óbitos relacionados ao calor devem ficar acima da média histórica brasileira em todos os meses do período analisado, destaca o Valor.

Das mortes por causa do calor excessivo provocado pelo “Super El Niño”, projetadas pelo Climate Impact Lab, mais da metade — 484,5 mil — devem ter ocorrido entre junho e setembro. As demais 372,9 mil mortes adicionais relacionadas ao calor estão previstas para os próximos seis meses, segundo o Independent.

A ferramenta El Niño Heat Mortality Tracker, desenvolvida pelos pesquisadores, considera cerca de 3,7 mil regiões em diferentes países e permite acompanhar os efeitos estimados do calor em escala nacional e subnacional. Segundo o Climate Impact Lab, os resultados podem ajudar governos e organizações a identificar as populações mais expostas e direcionar medidas de prevenção.

Além das mortes, outras contas também estão sendo feitas sobre os impactos do “Super El Niño”. Os efeitos do fenômeno continuam ameaçando as colheitas de arroz e café a tal ponto que o Banco Mundial prevê que os preços dos alimentos subam 18% no próximo ano, informa O Globo. “Do ponto de vista da segurança alimentar, as culturas que recebem maior atenção são aquelas que constituem os alimentos básicos, fontes da maior parte das calorias consumidas pelas populações de países vulneráveis”, explicou Máximo Torero, economista-chefe da ONU para a Alimentação e a Agricultura (FAO).

O El Niño afeta especialmente o arroz nas regiões onde reduz as chuvas — sobretudo na Ásia, onde pode limitar o plantio e a produtividade. O milho e o feijão, essenciais no México, na América Central e no sul da África, também estão expostos a um risco maior de seca. Até mesmo o sorgo e o milheto — muito importantes na África Oriental e, ainda assim, mais resistentes à falta de água — podem sofrer com um déficit prolongado de chuvas, apontou a FAO, acrescentando que o trigo também pode ser afetado por precipitações irregulares.

Com os eventos extremos decorrentes do El Niño afetando colheitas em quatro cantos do mundo, os bancos estão agora avaliando as estruturas de empréstimo e os riscos de perda, tendo o refinanciamento da dívida como uma das opções em consideração, explica a Bloomberg. As preocupações surgem após alertas de gestores de recursos de que a intensidade do atual fenômeno deixará os investidores sem como se proteger, à medida que o El Niño interrompe o abastecimento de commodities, impulsiona a inflação e amplia os déficits comerciais.

Revista Amazônia, SBT News, CNN Brasil, Veja, Diário do Pará e Down to Earth também repercutiram o estudo do Climate Impact Lab.

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Este conteúdo é originalmente de climainfo.org. Para a reportagem completa, acesse:
https://climainfo.org.br/2026/11/04/el-nino-deve-matar-quase-900-mil-pessoas-e-elevar-precos-dos-alimentos-em-18-ate-2027/

Fonte: climainfo.org · Por Célia Mello

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